//Em resposta à campanha contra o PL 86/06

(PL da Dislexia- Câmara Municipal de São Paulo)

 

Gostaria de saber o que os nobres vereadores que encabeçam uma campanha contra o PL 86/06 (Dislexia), assim como o Conselho de Psicologia pretendem propor para dar conta das milhares de crianças que apresentam os verdadeiros problemas de aprendizagem em razão de limitações que lhes são inerentes. Elas existem, e não são poucas. E elas estão sendo assistidas, o que é muito pior.

De fato, combater a idéia de que toda criança que tem alguma dificuldade para aprender é portadora de dislexia ou qualquer distúrbio do gênero é louvável, uma vez que tal argumento tem sido usado para encobrir a baixa qualidade de ensino que tem sido ofertada. Esta é uma luta que temos desenvolvido há muito tempo, investindo, principalmente, na formação do professor.

Muitos dos problemas que observamos são criados em sala de aula, por professores pouco preparados. Por outro lado, negar que possa haver problemas reais de aprendizagem e afirmar que tudo é resultado de condições sociais/pedagógicas é, no mínimo, uma atitude radical, idêntica àquela que combatemos porque afirma que tudo é orgânico. Em ambos os casos, temos posições extremadas, que não condizem com a realidade.

Se os senhores (vereadores e dirigentes do Conselho Regional de Psicologia) tiverem interesse, convido-os a conhecer crianças com verdadeiros problemas de aprendizagem, assim como o trabalho que temos desenvolvido com elas e com escolas. Venham ver o que tem de "medicalização" em nossa atuação. Estas crianças, que não são poucas, necessitam e têm direito a uma assistência ampla, do ponto de vista pedagógico/educacional e de saúde, quando for o caso.

O que os senhores, contrários à aprovação do projeto, têm a apresentar a favor delas? Volto a dizer que elas estão ai, e são muitas. Procurem conhecê-las em vez de simplesmente negá-las. Tenho toda a certeza de que agradecerão imensamente a todos os senhores.

Apreciaria muito se pudéssemos conversar deixando de lado posições extremadas. É o mínimo que posso pedir em defesa desses milhares de crianças.

 

S. Paulo, 04/04/2011

 

Prof. Dr. Jaime Zorzi

Instituto CEFAC

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